
Eu não gosto do Lula. Não gosto da forma como a atual administração tenta mitigar os problemas reais de pobreza, saúde, educação e segurança. Nossa política externa é uma calamidade. Em termos de economia, estamos ainda muito longe de uma administração liberal, verdadeiramente capitalista. Não gosto da forma como o presidente se apresenta e o considero inapto para liderar uma nação.
Mas Lula tem seus méritos, e o principal deles foi ter rompido com a ala conservadora de seu partido, aquela porcaria do PT. O Cara é, ou tenta ser, um pragmático: esforçou-se em tentar reduzir a importância da ideologia e tentou valorizar aquilo que ele acredita que funciona melhor. Nesse espírito, tentou manter mais ou menos intocada a política econômica inaugurada ainda por FHC. Já é alguma coisa.
Mas agora, em final de mandato, com o Lula tentando emplacar uma sucessora, o Partido, uma congregação de comunistas velhos e oportunistas começa a afiar as velhas e obsoletas espadas. Leio no Estadão que durante o 4º Congresso Nacional do Partido, os comunossauros resolveram “radicalizar o programa de governo” da candidata do Lula. Censura, perseguição aos militares, aproximação com MST, apoio incondicional ao PNDH -3, mais proteção trabalhista, etc. Está tudo lá, o bom e velho PT não mudou absolutamente nada. Durante todos estes anos o que manteve a petralhada sob controle foi o barbudo.
Mas a Dilma, ao contrário do Lula, não conta nem com o senso de pragmatismo nem com a popularidade do barbudo. Com a Dilma na presidência, quem de fato governaria seria o PT. No Estadão leio que o barbudo considera os congressos do PT como grandes feiras ideológicas onde se vende e se compra de tudo, dando a entender que nem tudo que se diz nestes eventos deve ser levado a sério, e que o Partido terá "sabedoria" para não jogar fora a experiência acumulada em quase oito anos de governo. “Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder” disse ele, cheio de esperança. Seria nosso presidente um tolo ou um cego? Não importa, na verdade. No final, a intentona de 35 pode, enfim, conquistar o poder em nossa pátria.
Eu não gosto do Lula, mas, deus me livre, o que vem depois pode ser pior. Muito pior.


